terça-feira, março 10, 2009

Nova Velha História


Tempo e dedicação não têm andado de mãos dadas. Outras prioridades na vida.
Ainda na correcção da história da Cisne Negro. e a vontade de escrever uma nova história é mais que muita. Ando a revisitar os escombros de uma história que iniciei há uns oito anos. Ainda sobrevive. é um tipo de escrita bastante diferente da história da Cisne. É muito virado para a realidade dos nossos dias Algo do género...

- Estás a ouvir-me, Johnny?
Johnny estava à janela sem prestar atenção no que a sua namorada lhe dizia.
- O quê? – acordava para a realidade quando a mão pervertida de Cassidy esbarrava no seu rabo com alguma violência.
- Por caso estás com ciúmes do Jared? - interpelou numa voz ciciante, provocando-o sem pudor algum. – Eu sei que ‘tás…
- ‘Tás parva?

Estava um belo dia, um sábado nublado como qualquer outro. Johnny tinha por hábito esticar as pernas num passeio matinal descendo a vila até à baixa. Acabaria irremediavelmente na praia de Castillo de la Costa, descalço, sentando na areia, perdendo-se de amores pelo mar.
A noção do tempo caía em saco roto enquanto lá estava. Não poderia olvidar-se da promessa que fizera à sua namorada, comprar os bilhetes para o concerto de um grupo de rock chamado 23 seconds to Hell. Johnny gostava do som deles, apesar de não partilhar de um entusiasmo exagerado por parte de Cassidy. Cassidy era louca pelo vocalista e guitarrista principal, Jared. Era o seu deus grego, adorava-o desde as unhas dos pés ao cabelo.
Num caminhar por vezes distraído, por vezes observador, o vulgar transeunte que não tinha pressa para chegar ao seu destino, deparava-se com um carro completamente carbonizado, não muito distante da sua casa. Não passava de uma carcaça cinzenta, sem a porta do pendura.


Os 100 Pecados. Não me recordo há quanto tempo ouvia falar deles. Sabia aquilo que o conhecimento público sabia, pois os jornais, a rádio, e sobretudo, a televisão noticiavam sobre esse grupo de criminosos que se auto-proclamavam de “Os 100 Pecados”. O que eles faziam para se tornarem famosos? uia compreender como ninguém lhes fazia frente. Como se tinham tornado donos e senhores desta região? Ninguém! Até a polícia os evitava.

Rap de DJ Super FM
Ponho as minhas nike
Salto, agarro o mic
Desfiro palavras como Mike
Tyson dá uns bites
Nas orelhas do Hollyfield
Entra no ringue
Hoje não é domingo
Vence Federer
Ou vai-te foder

Resvalam as balas
Alastram as almas
Escuta filho da puta
O show já começou
Sente o flow
DJ tá em stereo
100 Pecados é assunto sério
Escuta yo escuta yo
Luta yo luta yo


Com o Sargento não há paralelo
Traz as tuas armas, martelos
Traz todas as ferramentas
Deixa-te de tretas
Junta-te aos Sem Pecados
Junta-te ao Careca Malvado
Ou morre na rua
Não há escolha diz o Joshua
(Diz o Joshua)

Facadas ataca forte e feio
Dark Angel mostra o seio
Aos bófias
Tic Tac tac tic
Chilique

Os políticos não passam de mongolóides
Raquíticos, padecem de febre tifóide

segunda-feira, julho 14, 2008

23 meses e alguns dias

Regressei das catacumbas por assim dizer. Ando ausente deste mundo. Só para dizer que este blog está a atingir os dois anos de vida. Para dizer ainda que finalmente terminei a história do Cisne Negro e que estou na fase da revisão das 216 páginas que já são 226 ao fim de 3 capítulos revistos. Não sei se acabarei ainda este ano. Tem sido complicado. Só tenho a agradecer a quem me tem dado motivação para seguir este sonho. Obrigado à Angel pelo toque sentimental das cartas, obrigado à Silvia nas traduções para norueguês e um agradecimento especial o à minha futura psicologa! Grazie pela força que me dás sem saberes. E grazie pelo video, desconhecia a música dos Poets of the Fall.
Aqui vão uns novos excertos de capítulos que postei aqui há 23 meses e alguns dias.
- Vinde Cisne Negro, mostrar-vos-ei o vosso caminho, a vossa rota. Sofrer não significará a vossa derrota. Precisamos de vós para comandar esta frota!
Foi pelo canto do olho que a bebé defrontou aquela figura que lhe fora sempre fraterna. As suas lágrimas recuaram como uma vaga a regressar ao mar. Pararia de chorar sem dar conta. Bastou que Mar-Hir falasse para que se sentisse serena e segura de uma forma tão definitiva, coisa que nem a sua própria mãe o teria conseguido, pelo menos naquele momento.
- Yhdistä moi dät...! – soltara a voz feiticeira do Ancião.
A Cisne acabou por aceitar, ainda que timidamente, a mão do seu avô. Por alguma estranha razão a bebé embarcaria sem sequer olhar para trás. Encontrava-se entre a rejeição forçada dos seus pais e as promessas incandescentes de Mar-Hir.
- Levar-te-ei ao Templo dos Sonhos… onde sonhamos acordados! – declarava o auspicioso Pontífice já na proa da embarcação que acabava de zarpar.
Tal árvore… tal fruto. Quarenta dias passaram desde o segundo aniversário da Cisne Negro. Por esta altura tais olhos pardacentos estavam muito mais afastados do solo. Era uma árvore que olhava para cima, perdida de amores pelo deslumbrante Grande Cristal.
Portanto não era nenhum encantamento, nenhuma ilusão ou miragem se assistíssemos ao caminhar da jovem árvore, pois estava livre de raízes. E todos aqueles que a admiravam esperariam certamente que pudesse vir a proporcionar frutos suculentos pelo trilho que enveredava há ano e meio, no Templo da Luz, um lugar privilegiado de manifestação do imaginário.Aí residia, de facto, a ironia romântica da árvore que fora arrancada de uma ilha e enraizada de novo no cume de uma montanha que chegava a roçar o céu líquido de tão elevada que era.
Escutava-se, para lá da porta, o ruído incisivo de uma tesoura. Eram os delicados dedos da risonha Dasrae que seguravam tal instrumento. Estava a cortar o cabelo à petiza enquanto entoava uma pequena canção.

“As nossas sombras uniram-se
No dia em que o Grande Cristal adormeceu
Chorámos alegrias e rimos tristezas para o céu

Uma infinidade de estados de luz propaga-se
Naquele que é agora o teu lar
Que nada te faça olvidar

De que não estás só pois conheço-te cegamente
Mesmo que a distância esteja por perto
Terás sempre o meu amor por completo

Que a dúvida não te persiga desesperadamente
Cuida bem do teu jardim pois até o solo mais estéril
Será novamente semeado”

Um inadvertido bocejo soltou-se da boca da Cisne. Nem se lhe ouviu um elogio que fosse para a sua ama que acabara de lhe dedicar uma trova.

Poets of the Fall - Carnival of Rust


A Perfect Circle - The Outsider (live)

sexta-feira, março 21, 2008

Nightwish



Falta já menos de um mês para que esta banda finlandesa regresse a Portugal pela segunda vez. A primeira actuação em terrritório luso aconteceu no Festival Vilar de Mouros 2005. Estive lá numa noite noite memorável onde tocaram bandas como Anathema ou Within Temptation. Nessa altura os Nightwish ainda contavam com Tarja Turunen como vocalista. Ninguém imaginaria que ela fosse despedida alguns meses depois. Era o fim de uma era.
Dois anos volvidos os Nightwish regressam aos albuns com Dark Passion Play apresentando Anette Olzon~como vocalista.
Choveram críticas e comparações entre a Tarja e a Anette. São duas vozes completamente distintas, uma operática outra mais suave, mais rockeira. É verdade que Tarja tem aquela voz especial mas também há encanto na voz de Anette.
Deixo dois videos da música Ever Dream, uma cantada pela Anette outra pela Tarja.
Tenho a certeza que o concerto de dia 19 de Abril vai ser um espéctaculo.


Ever Dream (com Anette)


Ever Dream (com Tarja)

domingo, fevereiro 24, 2008

Intimus Dualitas

E vão 19 meses que comecei esta aventura da história da Cisne Negro.Essa é a sua alcunha. O nome dela é Signe.
falta escrever 4 capítulos, ainda. Ando a escrever o penúltimo capítulo (Intimus Dualitas), que será fértil em surpresas e reviravoltas.
Aqui vao alguns tópicos:

A Cisne (17 anos) não é a mesma desde que voltou do Templo Aquariano.

Terá uma companheira de quarto, a sua irmã Thrishia (12 anos)que não será muito bem recebida pelo Povo do Cristal

Thrishia é uma rapariga muito bem disposta e ultrapassará as adversidades com maior facilidade que a sua irmã mais velha

A Cisne sente-se mal por não ter comparecido ao encontro que marcara com o seu namorado Rhanos. Acha que um namoro à distãncia não está a dar resultado, por isso decide marcar novo encontro.

Mirthis, a Princesa dos Margrietus visita a Cisne e na brincadeira beijam-se na boca. Alguém escondido assiste àquela cena

Caliel experiencia um estado de inconciência após ter olhado directamente para a luz do Grande Cristal

A Cisne volta a falhar o encontro com Rhanos

Será descoberto um segredo de Mar-Hir que deixará todos chocados, principalmente a Cisne


listening:
Flyleaf - Penholder


domingo, fevereiro 03, 2008

Os Meus 10 Melhores Momentos




Recomeçou agora a quarta temporada de uma das minhas séries preferidas, Lost. E à semelhança de uma personagem (Charlie) irei colocar toda a minha sinceridade à prova e resumir os meus 10 momentos mais felizes.

# 10
O dia em que marquei um golo quando estava no 7º ano. Na altura tinha uma doença que me causava dores terríveis e nem era suposto fazer educação física. Após ter marcado esse golo corri o campo todo e saltei para cima do nosso guarda-redes festejando esse pequeno grande feito.

# 9
Não me lembro quantos anos tinha naquele verão. Tinha ido passar uns dias na casa da minha avó e fiz um passeio de bicicleta com o meu tio Eduardo desde o campo até à praia. À noite fomos a uma festa.

#8
Quando a minha chefe me disse recentemente que está muito contente por mim, que evoluí bastante e era um dos melhores da secção. Tive um começo bastante complicado e nem poderia vê-la. Faltava-me confiança, motivação e paz de espírito. Agora tenho tudo isso.

#7
Quando vou correr no circuito dos Pinheiros de Marim. Longe da confusão do mundo citadino, com a natureza à minha volta. Nada mais importa. O dia em que corri 6 kms em 29 minutos. A sensação de leveza a invadir-me por completo.

#6
O dia em que ia morrendo afogado numa praia deserta e o meu pai não estava por perto mas ouviu os gritos e veio a correr para me salvar. Foi como nascer de novo.

#5
Quando vi o filme mais assustador de sempre (Ju-on) na companhia da Liliane. Estávamos agarradinhos na escuridão como se tivéssemos dentro do filme. Foi uma sensação de medo tão agradável pois tinha alguém para proteger, mesmo que esse medo fosse fictício.

#4
Segundo dia do Festival Super Bock Super Rock 2006. Definitivamente o dia mais longo da minha vida. Após o almoço deixei os meus amigos porque queria ir mais cedo para apanhar lugar na primeira fila para ver e acreditar que estava diante da minha banda preferida, os Tool. Fiquei uma hora à espera que as portas de abrissem e duas horas à espera que os concertos começassem. Até que os Tool subissem ao palco, ainda iriam tocar os Primitive Reason, Alice in Chains, Deftones e Placebo. Logo com a primeira banda fui surpreendido com um intenso mosh que não estava nada acostumado. E fiquei lá durante horas a ser empurrado de todos os lados por matulões. Uma rapariga deu-me um estalo quando a minha mão tocou no rabo dela, outra disse-me qualquer coisa que não percebi e deu-me um beijo na boca e depois desapareceu. Tava tão desidratado quando os Deftones acabaram que tive que sair dali pra ir beber uma cerveja de penalti. Achava que já não conseguiria chegar à frente daquela multidão toda mas durante o concerto dos Placebo fui-me chegando à frente e quando os Tool iniciaram o seu espectáculo fui imediatamente recompensado pelas horas que estive ali. Foi uma experiência única que nem quis acreditar que tinha acabado. Os meus amigos já tinham ido embora de tão cansados que estavam, nem sequer viram Tool. Só cheguei à nossa tenda por volta das 4h da manhã, ainda tinha andado perdido um bom bocado até encontrar o estádio onde estávamos acampados. Foi Brutal.

#3
O dia em que me encontrei com a Kelly apanhando-a de surpresa quando lhe disse que ia publicar um livro de poemas sobre o que sentia por ela. Primeiro foi o choque e depois foi o incentivo, a alegria que consegui captar dos seus olhos. Estivemos juntos por pouco tempo mas houve ali uma forte descarga de sensações que me deixaram todo arrepiado.

#2
Foi há bem pouco tempo, o dia em que te conheci pessoalmente Sara, my sweet angel. Sabia que eras meiga e atenciosa. Não sabia que eras tanto! Nem sabia que eras tão engraçada e que também dizias palavrões como boa nortenha que és. Foi com grande expectativa que saí do trabalho e apanhei logo autocarro para Lisboa, sem me importar com o cansaço nem com o sono. Cheguei cedo a Lisboa, eram quase 6 da manhã. Mas digo que cheguei tarde pois só passado ano e meio é que nos encontrámos. Não sabia como iria reagir, pois sou um bocado reservado. Queria dar-te um grande abraço e nem sabia como o fazer, mas tu antecipaste-te e ainda pegaste no meu braço. Fui muito bem recebido, nem te agradeci! Mas sei como posso te agradecer. Voltando a fazer o mesmo, nem que seja para jogarmos ao uno às 7 da manhã lol. Adorei o passeio, as nossas conversas, os teus risos. O único senão não foi a Espiral estar fechada mas eu ter de voltar a casa. A cena da nota vai ter volta! :p

#1
Já sabia qual seria o melhor momento da minha vida quando comecei a escrever esta lista. São todos os momentos que passo com o meu sobrinho Miguel. Todas as nossas brincadeiras e risos. Só tem quatro anos mas deu-me muito mais alegrias que alguém poderia ter dado. Lembro-me quando ainda gatinhava e ria-se com as minhas palhaçadas, quando começou a andar, quando começou a falar. O riso dele é a minha maior felicidade.


listening:
Epica - Cry for the Moon

domingo, dezembro 23, 2007

23

Ho Ho Ho!!!
Aproveito a época natalícia para fazer mais um ponto de situação, este mais revelador que os anteriores. Segue-se o índice da história do Cisne Negro. A negrito estão os capítulos que faltam escrever.

Preludium
Obscurus Cycnus
Inter Profanus et Sacratus


Capítulo I O Dia chegou (aos 8 meses)
Capítulo II A Dor da Despedida Prematura
Capítulo III Viginti Tres (aos 2 anos)
Capítulo IV Delirium
Capítulo V As Raízes da Promessa (aos 5 anos)
Capítulo VI Os Seis Desaparecidos
Capítulo VII Inadiável Encontro
Capítulo VIII Cabassus Embarassus
Capítulo IX A Princesa de Margrietus
Capítulo X Nascimento
Capítulo XI Lacrimarum (aos 8 anos)
Capítulo XII Pirâmide de Cartas
Capítulo XIII O Amante da Natureza (aos 9 anos)
Capítulo XIV A Máscara (aos 12 anos)
Capítulo XV Albus Cycnus
Capítulo XVI Ad Extremum (aos 13 anos)
Capítulo XVII A Fuga (aos 15 anos)

Capítulo XVIII A Priori
Capítulo XIX Aquarium (aos 16 anos)
Capítulo XX A Posteriori
Capítulo XXI Incommodus Distantia(aos 17 anos)
Capítulo XXII Intimus Dualitas
Capítulo XXIII O Guerreiro Invencível


Neste momento estou a escrever o capítulo 23 que envolve a morte de uma personagem. Por falar em personagens, aqui vai a lista das 23 personagens:

As Personagens

Rinkinen (Reino do Norte de Atlântida)
Cisne Negro, Caliel, Marjah, Har-Meand, Barvaatus, Rinna, Equam, Emppu, Thrishia

Margrietus (Reino do Sul de Atlântida)
Mirthis, Tireu, Litharn, Heidei, Nurmi, Rhanos

Povo do Cristal:
Mar-Hir, Lazarus, Asrae, Adelius, Cassius

Sereias
Candraara, Viderya, Dahlia

O presente de Natal vai para quem acertar no nome da personagem que desaparece no último capítulo. So who will be killed?

30 Seconds to Mars – The Kill



Merry Christmas to all and best wishes for 2008
Peace out


Only to the Black Swan: não contava ver-te de novo por isso deves imaginar a asfixia do meu coração quando me apareceste à frente aos pulinhos. Voltei a acreditar no Pai Natal. Anda de mota e atira rebuçados a pulguinhas como tu. Tenho que agradecer ao barbudo pelo presente.
Só te posso desejar o melhor…

quinta-feira, novembro 15, 2007

Albus Cycnus

Dois videos que me inspiraram para a criação de um baile de máscara no capitulo que ando a escrever: Albus Cycnus (Cisne Branco).
until 23 December...



sábado, outubro 20, 2007

A black swan...



... came here just to tell you to wait until 23rd December for more news...

quarta-feira, junho 27, 2007

Ponto de Situação

Regresso após meses de ausênci que Caliel é a personagem maia. A minha passagem é breve. Vou apenas fazer o ponto de situação referente à história do Cisne Negro. Foi quase há um ano que embarquei nesta aventura inspirado por sensações positivas e encorajadoras. Muito aconteceu entretanto. Difícil dizer onde me encontro agora. A meio da história e não sei se conseguirei terminá-la. Tem sido complicado controlar a ansiedade. E existem muitas ideias para um segundo volume chamado O Cisne Branco.
Vou deixar excertos do capítulo À Priori, capítulo nº 18 dos 23 previstos. São apenas rascunhos que tenho escrito no trabalho durante as horas de almoço e jantar. As personagens centrais deste capítulo são Caliel e Rhanos. O Cisne Negro, que não aparece, já tem 16 anos, Caliel 17 e Rhanos 18.
E, para terminar, digo sem qualquer hesitaçãos cativante de todas as que criei nesta e noutras histórias que escrevi. Um dia se alguma vez o livro for editado irão perceber porque digo isto.
E agora existe uma motivação extra para continuar nesta aventura. E um novo dilema. Este post é dedicado a alguém que me devolveu o sorriso.




"O tempo parecia não ter passado para Caliel. Mantinha intacta a sua aparência angelical de criança fragilmente tímida embora já contasse com dezassete anos.
Igualmente incólume permanecia o seu comportamento intimista para com a natureza. Continuava a subir árvores e a empoleirar-se nos seus ramos como sempre fizera. E não deixara de falar com as árvores, plantas e animais no seu jeito extraordinariamente passional.
E que melhor gesto afectivo poderia demonstrar para um cavalo selvagem que encontrava numa clareira de uma mata, senão correr a seu lado sem ter o desejo de o montar? Apenas quis acalmá-lo pois o cavalo de pelagem pardo-avermelhada e com uma faixa escura ao longo do dorso estava mais exaltado do que qualquer outro corcel que o Rinkinen tivesse observado anteriormente. Caliel teve que colocar-se à sua frente sem recear ser atropelado pela histeria aflitiva que se apoderava a alma do animal, até então indomável.
- Shh. Está tudo bem. Não tenhas medo.
Olhou na direcção de onde os seus trémulos cascos tinham surgido. Avistara no horizonte um local que por alguma razão desconhecida evitava aproximar-se. Um indistinto vento soprava rigidamente nas suas costas, adejando freneticamente os seus cabelos encaracolados.
O cavalo relinchou com medo de ser empurrado para o interior daquela floresta repleta de abetos gigantes. Caliel conseguia sentir o que o cavalo sentia. Não era a frondosa vegetação que o intimidava, era sim o tremendo rumor das folhas agitadas pelo vento. Era o vento terrífico que assustara o cavalo que nunca havia trilhado aquele território inóspito. O vento ali tinha uma voz tão audível que poderia ser escutado a quilómetros de distância.
- Encontrarás um apetitoso campo de feno se seguires para lá do despenhadeiro arborizado. Vai e não voltes aqui.
Noutra ocasião Caliel teria acompanhado o cavalo até ao local que indicara. Contudo, achava que estava na altura de ouvir aquele vento arrepiante de mais perto. Já o cavalo se tinha afastado a trote contra o vento quando o Rinkinen deu por si a penetrar na densa floresta revelando um estado de espírito absolutamente despreocupado. Não tinha nada que temer.
... Até culminar num divergente bosque repleto de lianas e fetos. Embrenhou-se atrevidamente sem ser necessário ser levado pelo incansável vento...
... Para além do vento, o sentido apurado de Caliel escutou um espezinhar e estalar de folhas e ramos denunciando a presença de animais. Achou que poderia identificá-los mesmo sem os avistar. Mais cavalos galopavam naquelas paragens pouco convidativas. Foi ao encontro do ruído e ao desviar a vegetação surpreendeu-se. O vento tinha trazido um grupo de seus compatriotas que corriam tão ou mais assustados que o cavalo que encontrara...
... Encontram Caliel paralisado como se fosse uma das árvores enraizadas.
- Viste alguém ou algum animal? Alguma coisa fora do vulgar?
- Não vi nada. Apenas oiço o vento falar.
- Então nenhum de nós está a delirar. Também ouvimos. – disse Rhanos.
...O solo estremece os ramos das árvores agitam-se violentamente.
- Estão a ouvir? Existe uma força a perturbar a natureza. – diz Caliel
A densa floresta remexia-se aparatosamente. Um fenómeno inexplicável tal como o vento que rugia ferozmente.
- É o vento que faz estes rugidos?
- São as árvores. – disse alguém aterrorizado
- Não é o vento que fala nem as árvores. São eles!
... Espadas são desembainhadas, lanças são erguidas quando os Filisteus se aproximam.
As folhas estalavam debaixo dos pés
- Não. Escondam-se rápido!
- Não vou esconder-me como um cobarde!
- Não sejas tolo Equam, não tens qualquer hipótese.
... Mais à frente encontram um grupo de mulheres jovens a banharem-se no rio. Algumas exibiam o seu corpo nu sem qualquer pudor. Sereias. Mas havia qualquer coisa que atraía os homens
Seriam ondinas? Ninfas de água? Não, eram sereias de olhos grandes brilhantes quase incandescentes.
eram mulheres que e movimentavam nas águas como serpentes tinham uma cauda, uma barbatana de escamas verdes como os peixes. Saiam das águas e a barbatana escamada dava lugar a duas pernas perfeitas. Não tinham qualquer vergonha nem se sentiam minimamente intimidadas por estarem a ser observadas. Aceitavam o seu corpo tal como era. A transformação não era nenhum segredo que quisessem manter debaixo de água.
... Chegava Candraara, a Rainha das Sereias, num barco conchiforme puxado por cavalos-marinhos.
... O dialecto melodioso das sereias hipnotizam os homens. Rhanos e Caliel são os únicos que não caem em tentação. Rhanos pede a Caliel para amarrá-lo já que não pode amarrar-se a si próprio.
Rhanos ficou tentado em aceitar a mão de uma das sereias. As bocas espumavam de desejo.
O rio de um azul metálico transforma-se num tom mais alaranjado. Tornou-se em ácido. Bolhas inflamáveis rebentavam
Rhanos provou os lábios de uma sereia. Sabiam-lhe a vinagre. Asqueroso. Sentiu-se como se tivesse traído o Cisne Negro e nada lhe pareceu tão ruim. Tornara-se numa vítima da tentação. Uma tentação que, era capaz de jurar a pés juntos, lhe fora impingida, ou seja, não partiu de si.
Uma sereia fora cativada pelo jeito caracteristicamente acanhado de Caliel.
- Olá. Chamo-me Viderya. Tenho muito gosto em conhecer-te. Vejo que vêm de longe. Devem estar cansado. Andem, podem relaxar na cabana das massagens ao mesmo tempo que saciam a fome... Não falas? Porque estás tão tenso? – a sereia soprou-lhe ao ouvido palavras venenosas que contrariavam o seu impulso em fugir daquele local de desenfreada libertinagem. O que o Cisne Negro iria pensar se soubesse?
... Candraara rainha entre as sereias, a mais alta com longuíssimos cabelos negros com madeixas roxas. Tinha uma aparência que se destacava das demais...
As sereias entregavam o seu corpo ao grupo de rinkinens e margrietus, não se importavam com a sua origem.
- Oh sois todos tão jovens
- E tão belos!
Rhanos deu um passo atrás e depois mais outro.
por seu lado, Caliel resistia facilmente aos encantos da mais bela das criaturas marinhas. E como as sereias detestavam ser desprezadas, tinham que aplicar todos os meios mais perversos
O que foi? Não gostas de mulheres? Tens aqui três à tua inteira disposição
- Não! Pára! Não posso! Se me beijares, irás beijar o chão ou aquela pedra ali
Olhou pelo canto do olho vendo os seus companheiros a serem facilmente levados pelos desejos de carne. Precisava resistir às investidas da sereia a todo o custo.
Por seu turno, Caliel continuava no mesmo local, nem recuava nem avançava.
- És um autêntico mistério, sabias? – dizia a sereia analisando a aura do Rinkinen
- Trazes contigo um grande perigo. Não te excita ser quem és?
- Quem sou? – retrucou numa voz atabalhoada
- Não sabes quem és? – questionou-se surpreendida. – Os teus pais não te disseram?
Caliel não iria cair na artimanha da sereia que tentava quebrar o seu espírito protegido contra feitiços daqueles. Para Caliel tudo o que a sereia queria era semear a dúvida para torná-lo mais vulnerável pois não poderia tê-lo doutro modo. Poderia falar o que quisesses que não iria ceder aos caprichos pecaminosos da rainha das sereias.
- Duvidas do que te digo. Pois bem, porque não perguntas aos teus pais, sem rodeios, perguntas-lhe quem realmente és.
- Anda posso contar-te tudo o que quiseres saber, sobre o teu povo e sobre como elas podem aparecer…!
A sereia abriu-lhe os braços. Caliel continuava sisudo, visivelmente confuso mas com uma única certeza. Não iria abraçar uma criatura da natureza capaz de instigar, confundir e manipular os homens a seu bel-prazer.
Olhou de soslaio para Rhanos que tentava subir uma árvore ao ver-se encurralado.
- Foge! Não te deixes levar pelas suas palavras venenosas! Foge! Não fiques aí especado!
A Sereia Candraara avançava para beijar Caliel.
- Mas e tu…?
- Não te preocupes comigo, salva-te!
Duas sereias que entretanto já se tinham livrado dos seus homens ladearam a rainha para capturar o indomável Caliel.

... Caliel foge mas é prontamente perseguido. Ao longo da margem do rio. Um assobio de Candraara chamou inesperadamente uma matilha de hienas ameaçadoras que o perseguiram já que as sereias não conseguiriam acompanhar a correria do Rinkinen.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Anúncio


Lamento informar-vos que deixarei de postar a continuação da história do Cisne Negro. É pelos melhores motivos. Tenciono empenhar-me a fundo para conseguir atingir tudo aquilo que idealizei para a criação de um mundo pormenorizado, Atlântida vista por Luigi.
Deixo-vos algumas ideias. Haverá expressões norueguesas e finlandesas que representam a linguagem dos dois reinos, Margrietus e Rinkinen, Haverão locais detalhados. Já comecei a tratar disso. Haverá um triângulo amoroso. Haverá uma espécie de relação lésbica. Possivelmente algumas cenas tórridas. Haverá uma personagem incorpórea chamada Ausência. Aparecerá um Cisne Branco. Haverá uma inevitável guerra entre os dois reinos. Amores e traições entre personagens dos dois reinos. Haverá muita confusão. Haverá um guerreiro imbatível, haverão fundamentalistas religiosos e outros descrentes, haverá magia, segredos por descobrir, haverá morte, aparecerão alguns seres mitológicos desde sereias, hidras, minotauros, filisteus, hipocampos, haverá muito mais.
Muitos aspectos estão esquematizados, incluindo o final que creio ser surpreendente. A motivação tem crescido bastante, quero exceder os meus limites. No entanto há que ter os pés bem assentes no chão. Não vai ser nada fácil mas quem corre por gosto não se cansa. Quero deixar de dormir só para escrever o que tenho em mente. Às vezes chego a pensar que mais vale viver em histórias assim do que na própria realidade.
Admiro todos aqueles que escrevem histórias, mesmo aqueles que escrevem para a gaveta. Que a inspiração e motivação não vos falte!
Estabeleci o prazo de Janeiro de 2008 para terminar este projecto ambicioso. Depois é registar a obra e enviar para tudo o que é editora. Entretanto deixo aqui expressas duas promessas que tenciono cumprir. Vou andar habitualmente vestido de preto até terminar a história e quando a concluir entregarei a cruz dos Nightwish, que podem ver na imagem, à pessoa a quem chamo Cisne Negro.
Em principio não vou ter acesso à net durante um tempo indeterminado. Se puder visito os vossos espaços. Agradeço a todos os que me visitam e peço a vossa compreensão. Bem hajam!

Only to the Black Swan: Seja como for, mesmo na ausência, serás as asas da minha imaginação. Seja como for continuarei a amar-te mesmo sabendo que nunca estaremos juntos nesta vida. Acreditas na reencarnação?
Sê forte, encara cada dia como um desafio aliciante. Não te deixes perturbar pelas intermitências da vida. Be brave my dear Black Swan, spread your wings and fly…


Aniversário


Hoje o meu sobrinho completa três anos de idade. A pessoa mais importante na minha vida. Todos os dias passados com ele são especiais. Hoje vamos passear, andar de comboio que tanto gosta e soprar as velas à noite. You are my angel... Happy Birthday!

terça-feira, janeiro 02, 2007

As Raízes da Promessa (parte 2)

(E a história continua... Vou postando menos mas estou cada vez mais empenhado em terminá-la. Novidades no argumento: O Cisne Negro vai ganhar uma irmã. Aceitam-se sugestões para nomes inventados a partir do nome Patrícia. Podem ler um diálogo de uma parte avançada da história no meu outro blog.)
Deixou-se ficar sozinha mais uma vez. Desta feita não podia culpar ninguém a não ser a si própria. Permaneceu estática olhando para si própria, imaginando como poderia ser filha de uma árvore. Segundo Asrae, Galieas Sirthion era a Mãe de todos os atlantes. Mas como tinha nascido dela? Onde estavam as suas raízes, os seus galhos, as suas folhas? Teriam sido retirados à nascença pela sua mãe Marjah? Então e os cisnes, eram eles que voavam até ao cimo do Monte Atlas e entregavam os bebés às mães atlantes como ouvira dizer?
- Muitas questões e ninguém para as responder. Oh não faz mal, daqui a uns meses saberei como nascem os bebés. – atirou um suspiro contra a brisa que movia casualmente os seus caracóis negros. - O avô por mais ocupado que esteja vai ter que me levar a Cabassus!
Apesar de nova, o Cisne tinha plena consciência de que Mar-Hir tentava estar em todo o lado ao mesmo tempo. Agia como se fosse um Semi-Deus, o braço esquerdo do Deus Poseidon, isto porque o direito é aquele que segura firmemente o Tridente da Justiça. Afinal de contas sempre tinha estudado alguma coisa acerca dos Deuses do Mar. Era impensável ignorá-los, no entanto o egocentrismo da Rinkinen era mais caprichoso que a adoração a tais invisíveis seres superiores. Não passavam de estátuas, não sentiam como ela sentia. Se o seu avô estivesse ali agora teria certamente lido os seus pensamentos e teria condenado tal heresia.
- Venho para aqui para ficar sozinha? Porque nunca me leva consigo nas suas viagens? Será que se vai lembrar do que me prometera? – resmungou na direcção de Galieas Sirthion.
Como poderia sequer duvidar da sua palavra quando o Pontífice sempre lhe fora honesto? Abanou a cabeça, farta daquele marasmo, farta de esperar.
Foi como uma pequena grande senhora bem comportada que decidiu levantar-se lançando uma vénia à Deusa-Mãe, lançando-lhe um agradecimento sem saber ao certo porque o fazia.
Quis fazer qualquer coisa de útil, o quê? – perguntou depois de se ter despedido dos seus cisnes que continuavam no pequeno lago distraídos coçando as suas penas. Houve apenas um que quis acompanhá-la.
- Não me sigas… Vai ter com os outros. – pediu a Rinkinen virando-lhes as costas dirigindo-se para o Templo.
Vindo do limite meridional da montanha, para lá do lago Inélun, o mais recente iniciado da Ordem Cristalina interceptara o Cisne Negro no átrio do Templo. Chamava-se Adelius, um curioso jovem das sardas e olhos negros.
- Estás sozinha hoje? - perguntou fitando-a num espanto subtil.
- Sim estou… - respondeu tentando disfarçar o seu incontestável constrangimento.
Nem havia motivo para tal, pois Adelius era dos poucos que não a olhavam como a estranha. Era o seu amigo mais próximo, apesar de ter o dobro da sua idade. Era também sobrinho da sua ama, logo costumava encontrá-lo muitas vezes.
- A tua tia disse que te esperava na Grande Biblioteca.
As duas crianças aproximaram-se da fachada principal formada por um grande pórtico com tímpano, vigiado por dois hirtos sentinelas que mais pareciam duas figuras de pedra.
- Disse? Mas ela sabe que tenho agora aulas de canto no Coro da Basílica Anjira. Queres vir comigo? Podes cantar connosco. – indagou num tom bem disposto.
- Ca-cantar, eu? – gaguejou. - Hoje não. Talvez noutro dia. – respondera assumindo uma expressão de aborrecimento.
A Rinkinen procurava desfazer-se do sentimento de abandono que a fragilizava. Tinha ficado agradada com a proposta do seu amigo mas naquele momento não estava com a voz suficientemente afinada, consequência do seu prolongado silêncio.
- Então porquê? Eu sei que cantas bem!
- Como sabes se nunca me ouviste cantar? – indagou de sobrolho franzido certificando-se que os sentinelas não estavam a ouvir a conversa.
- Pois não, mas se dizes que a tua mãe tem um canto maravilhoso, tu também deves ter. – elogiou o sobrinho de Asrae baseando-se numa avaliação hereditária.
Sem que Adelius pudesse prever, o Cisne Negro fugiu para o interior do Templo de cabeça baixa de modo a que os guardiães não reparassem nas suas lágrimas a rolarem-se-lhe pelo rosto.
- O que foi que disse de errado?
O Iniciado da Luz ficou estupidificado, não percebendo aquela sua reacção intempestiva. Não quis acreditar na conotação que lhe atribuíam nas suas costas. Era apenas uma criança, assim como ele. Tinha pensado segui-la todavia a meio do caminho mudou de ideias, exactamente quando observou-a a virar para o atelier, um espaço dedicado às ocupações das crianças.
O Cisne Negro teria recolhido à solidão do seu quarto que tanto a martirizava. Contudo preferiu antes estar só mas acompanhada, ou seja não comunicava com as outras crianças que se sentavam em enormes mesas coladas umas às outras. Algumas pintavam, outras escreviam, ou liam. Haviam outras que jogavam jogos didácticos como quebra-cabeças ou adivinhas num burburinho que por vezes incomodava a concentração dos restantes.
A filha de Cabassus ficou sentada numa ponta servindo-se da plasticina que Mar-Hir lhe tinha oferecido. Era um óptimo exercício para descontrair. Os seus dedos estavam a moldar figuras disformes misturando várias cores sem haver muita coerência. Não sabia ao certo o que estava a criar, nem estava com paciência suficiente para fazer algo mais elaborado.
- Já viste o que a Estranha está a fazer? – comentou uma rapariga para aquela que estava ao seu lado.
A Rinkinen reparou que estavam a troçar de si mas não quis dar muita importância. Foi precisamente após a risada das duas raparigas que observavam a sua falta de inspiração que se lembrara do que poderia fazer com a plasticina.
- É isso mesmo!- exclamou numa toada sonora sem notar que tinha chamado a atenção de quase todos os que estavam ali presentes.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Parabola

E porque o Natal está cada vez mais próximo deixo-vos no sapatinho esta obra-prima do génio de Adam Jones guitarrista da banda Tool. Deixem-se levar por esta Parabola.
All this pain is an illusion.

Feliz Natal para todos os que me visitam.
E porque não vou regressar mais este ano, desejo-vos um ano de 2007 ainda melhor.



So familiar and overwhelmingly warm
This one, this form I hold now.
Embracing you, this reality here,
This one, this form I hold now, so
Wide eyed and hopeful.
Wide eyed and hopefully wild.

We barely remember what came before this precious moment,
Choosing to be here right now. Hold on, stay inside...
This body holding me, reminding me that I am not alone in
This body makes me feel eternal. All this pain is an illusion.

We barely remember who or what came before this precious moment,
We are choosing to be here right now. Hold on, stay inside
This holy reality, this holy experience.
Choosing to be here in

This body. This body holding me. Be my reminder here that I am not alone in
This body, this body holding me, feeling eternal
All this pain is an illusion.

Alive!

In this holy reality, in this holy experience. Choosing to be here in

This body. This body holding me. Be my reminder here that I am not alone in
This body, this body holding me, feeling eternal
All this pain is an illusion.

Twirling round with this familiar parable.
Spinning, weaving round each new experience.
Recognize this as a holy gift and celebrate this chance to be alive and breathing.

This body holding me reminds me of my own mortality.
Embrace this moment. Remember. We are eternal.
All this pain is an illusion.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

As Raízes da Promessa (parte 1)

O Cisne Negro estava sentada num banco de madeira no jardim que embelezava a Praça da Deusa Anfitrite. Àquela altura já não se deixava deslumbrar tanto pela paisagem bucólica existente ao redor daquela estância.
Aos cinco anos era uma menina que se refugiava em pensamentos demorados junto da mais importante divindade feminina de Atlântida. Sentia-se impelida a fazê-lo embora não tivesse sido enfeitiçada pela religião. Era como se Anfitrite a chamasse e a obrigasse a falar tudo o que lhe ia na alma sem preconceitos.
Os últimos três anos tinham sido demasiado pacatos. Sentira-se como um peixe fora de água. Não se enquadrava de todo naquele meio eclesiástico. Não conseguia relacionar-se com ninguém. Foi o que dissera à Deusa assumindo que estava a desrespeitá-la dalguma forma.
Logo no dia seguinte, por mera causalidade, tinha lhe sido concedida alguma liberdade para que não se sentisse tão deslocada. Poderia passear livremente por toda aquela área. Tinha o aval de Mar-Hir. Desconhecia porque motivo teria permitido tal revelia. Teria sido uma intervenção divina? Teria sido Anfitrite?
A criança viu serem alargadas as suas fronteiras, ainda que houvesse alguns locais intransitáveis. Mas tudo aquilo não lhe chegava. Não era somente o local que a restringia, era principalmente o secretismo daquele povo, eram todos muito fechados, demasiado introspectivos. Não deixava de ter a sua ironia, era cada um por si e no entanto eram unidos.
A Rinkinen recordava-se da conversa que tivera com o seu avô:
- Há pessoas que me olham demoradamente mas não me falam. Por que motivo olham tanto para mim, terei alguma coisa de errado? – questionou com aqueles olhos estonteantes, qual mar bravio que se revoltava à procura de tranquilidade.
- Olham-vos num misto de admiração e condenação. Lembrai-vos, fostes a primeira bebé a nascer durante a Luz Frouxa. – recordou numa clara espontaneidade.
Jamais o Pontífice lhe omitiria a condição especial que a distinguia de qualquer outro atlante. Iria informá-la, sempre que necessário, do plano que tinha reservado para si. Não era de se silenciar como muitos do Povo que tutelava.
- Não faças essa cara. Não tem que ser necessariamente ruim nascer durante a fase menos luminosa do dia. Não te deixes condicionar pelo que as pessoas te dizem ou simplesmente pelo modo severo como te olham. Não lhes cabe julgar os mistérios da vida. – serenou-a colocando a mão por cima do ombro da sua neta para lhe livrar do ambiente intimidante em que se encontrara. - Daqui a uns dias levar-te-ei até Cabassus, visitarás os teus pais. – anunciou com alguma reserva.
Nem Mar-Hir, que contava com uma idade avançada e uma inestimável experiência acumulada, sabia muito bem como a tratar. Ora como uma simples menina que protegia carinhosamente, ora como uma reverência atribuída a uma pessoa de um grau de importância elevado, uma pequena senhora. A forma indefinível como se dirigia à Rinkinen explicava-se pelo facto de estar a lutar contra o futuro. Sabia o que lhe estava destinado pois assim o tinha previsto. Apenas não sabia qual o momento em que a balança iria pender mais para o lado de Instrutor da Luz rígido e implacável do que propriamente para seu avô carinhoso, que a enchia de mimos.
Regressada dos seus pensamentos viscerais, a filha de Cabassus afagou um dos seus inseparáveis cisnes. A família tinha aumentado entretanto. Eram agora dezasseis, onze negros, cinco brancos. Tinham acabado de debicar sementes das suas mãos. Um hábito que a sua querida mãe lhe tinha ensinado.
O bando dirigiu-se até ao pequeno lago Inélun, para junto dos seus ninhos. Alguns ainda mergulharam o seu longo pescoço para mordiscar as plantas subaquáticas ficando apenas com a cauda à superfície. Ao menos desfrutavam daquele habitat natural ao ponto de rejubilarem à sua frente. Nem sempre se compadeciam com o estado de espírito da sua tratadora.
Distraiu-se com o movimento colectivo de Iniciados e uma Sacerdotisa a comandá-los ordeiramente. Era Asrae. Distinguia-a ao longe pelos seus cabelos loiros claros que contrastava com a sua indumentária cinzenta. Àquela idade dispensava a atenção permanente da sua Ama. Contudo seguiu no seu encalço apenas para perguntar pelo paradeiro do seu avô.
- Não está, foi meditar junto de Galieas Sirthion.
- E quem é? É a sua mulher?
- Não sua tonta, Galieas Sirthion é a Grande Árvore da Vida.
A Sacerdotisa sorriu abusivamente antes de lhe explicar perante aquelas seis crianças já suficientemente crescidas para saberem que Galieas Sirthion não era uma pessoa mas sim o ex-libris da natureza atlante.
- É a Mãe de toda a Natureza que nos rodeia. Pensei que o Pontífice te tivesse levado lá, ao Monte Atlas. Bem, sempre podes olhar a nordeste e contemplar a nossa Mãe no horizonte.
O seu olhar virou-se para a direcção indicada pela Sacerdotisa. Avistou a Magna Árvore com amuo pois o seu avô não lhe tinha feito tal convite. Desejaria muito conhecê-la. Deveria ser gigantesca para ser vislumbrada dali.
Apesar de ainda ser muito nova para seguir o Princípio Templário, a sua ama convidou-a a juntar-se àquele de grupo de iniciados até à Grande Biblioteca.
Mais uma vez a Rinkinen recusou o convite. Era uma criança bastante contraditória. Não desejava ser preterida e no entanto desperdiçava todas as oportunidades para deixar de o ser. Tal atitude já vinha de trás, desde que tomara conhecimento dos comportamentos distanciados do Povo do Cristal. E tal distância nunca fora suprimida. E pelos vistos não seria ela a dar o braço a torcer.
- Então se entretanto encontrares Adelius diz-lhe onde estamos. – requereu a Sacerdotisa antes de se encaminhar para o Templo, juntamente com os seus discípulos.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Desafio

Voltei do mundo das sombras, temporariamente. Irei visitar todos os vossos blogues. Agradeço a compreensão.
Fui desafiado pela Isabel, espero que ela não me leve a mal se lhe apelidar de “a escritora supersónica”.
O jogo consiste em falar de 6 manias e seguir as regras desafiando 5 pessoas. Desafio desde já a Angel, Broken, Pierrot, O Alquimista, Vero, White Roses Princess, Devaneios e mais duas pessoas que não tem blog mas pode comentar aqui, sim tu mesma, my Black Swan, e tu Mónica. Não são cinco pessoas, também não sou o único a quebrar as regras :P

Então cá vão as minhas manias. Não quero alongar-me muito, estou a pensar na vossa saúde mental. Mas veremos até onde irão as minhas descrições.

1. Tenho a mania de pensar muito, tanto que me distraio. Tanto posso ser um bom observador como um distraído de primeira. Não é por acaso que ia sendo atropelado há dias.

2. Tenho a mania de ouvir música sempre que escrevo. Tenho a mania de ouvir música quando estou na rua, ao ponto de abanar a cabeça, e fazer os gestos com as mãos como se estivesse a encarnar um dos meus ídolos, Danny Carey, baterista dos Tool. Eu sei que há quem pense “olha aquele é maluco”. Melhor comprar uma bateria e fazer isso em casa para não dar nas vistas.

3. Tenho uma mania recente, ir aos grandes festivais de música e trazer muitas peripécias para contar. É sempre uma aventura. Alguém quer vir?

4. Tenho a mania das promessas a mim mesmo, como ir correr para um circuito de manutenção situado nos Pinheiros de Marim e tentar correr 6 kms em menos de meia hora. Será antes mania da perseguição?

5. Tenho a mania da desorganização para depois ter prazer em arrumar tudo.

6. Tenho a mania de ser um pouco masoquista. Mas escuso-me de me explicar. Não quero influenciar ninguém aqui.

7. Tenho a mania de andar descalço em casa, mesmo em pleno Inverno, sempre descalço e pés congelados, mesmo doente e tal.

8. Tenho uma mania estranha de registar notas através do site do Eurobilltracker (www.eurobilltracker.com). Mas há muitos malucos como eu a fazer o mesmo.

9. Tenho a mania de nunca tirar uma cruz que uso da banda Nightwish.

10. Tenho a mania de ser um tio babado. Esta é a minha mania preferida.

11. Tenho a mania de dar tudo pelos meus amigos.

12. Tenho a mania dos amores não correspondidos. Será uma mania?

E ficamos por aqui. Sim tenho consciência de que enumerei mais do que as seis manias estipuladas. Não sou assim tão maluco como podem pensar.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Wings for Marie/ 10 000 Days



Sei que tenho estado ausente dos vossos blogs mas queria partilhar-vos esta obra-prima da banda Tool. Uma música de 17 minutos e 25 segundos dividida em duas partes Wings for Marie e 10000 Days. Jamais os meus ouvidos irão escutar uma música tão linda como esta... e tão trágica...
Podia falar muito sobre esta melodia fúnebre mas não vou alongar-me muito mais, apreciem a letra, é de uma profundidade emocional indescritivel, sobre Judith Marie, mãe do vocalista que ficou paralisada numa cadeira de rodas cerca de 10 000 dias (27 anos e 4 meses).
Se quiserem procurá-la experimentem ouvi-la no escuro, com auscultadores, ou à janela vendo a chuva cair. Irão perceber a diferença. Estou a postá-la porque confesso que não páro de chorar não só pela música em si mas por outros motivos pessoais.

Wings for Marie (part 1)

You...
You believed...
You believed in moments none could see
You believed in me

A passionate spirit
Uncompromised
Boundless and open
A light in your eyes that
Could end all lies

Broken, broken
Fell at the hands of this moment so that I wouldn't see
It was you who prayed for me so
What have I done
To be a son to an angel?
What have I done
To be worthy?

Daylight dims leaving cold fluorescence
Difficult to see you in this light
Please forgive this selfish question, but
What am I to say to all these ghouls tonight?
She never told a lie,
... well might have told a lie,
But never lived one.

Didn't have a life
Didn't have a life
But surely saved one
So I'm alright
Now it's time for us to let you go.

10 000 days (wings pt. 2)

Listen to the tales and romanticize,
How we follow the path of the hero.
Boast about the day when the rivers overrun.
How we rise to the height of our halo.

Listen to the tales as we all rationalize
Our way into the arms of the saviour,
Fading all the trials and the tribulations,
None of us have actually been there,
Not like you.

Ignorant fibbers in the congregation,
Gather around spewing sympathy,
Spare me.
None of them can even hold a candle up to you.
Blinded by choices, hypocrites won't see

But, enough about the collective Judas.
Who could deny you were the one who
Illuminated
Your little piece of the divine?

This little light of mine, the gift you passed on to me;
I'll let it shine, to guide you safely on your way,
Your way home...

Oh, what are they going to do when the lights go down
Without you to guide them all to Zion?
What are they going to do when the rivers overrun
Other than tremble incessantly?

High is the way, but our eyes are upon the ground.
You are the light and the way, they'll only read about.
I only pray, Heaven knows when to lift you out.
Ten thousand days in the fire is long enough, you're going home.

You're the only one who can hold your head up high,
Shake your fists at the gates saying:
"I have come home now!
Fetch me the spirit, the son, and the father
Tell them their pillar of faith has ascended.
It's time now!
My time now!
Give me my, give me my wings!”

Give me my wings!

You are the light and way that they will only read about.

Set as I am in my ways and my arrogance,
Burden of proof tossed upon the believers.

You were my witness, my eyes, my evidence,
Judith Marie, unconditional one.

Daylight dims leaving cold fluorescence.
Difficult to see you in this light.
Please forgive this bold suggestion:
Should you see your Maker's face tonight,
Look Him in the eye, look Him in the eye, and tell Him:
I never lived a lie, never took a life, but surely saved one.
Hallelujah, it's time for you to bring me home.

quarta-feira, novembro 15, 2006

Delirium (parte 3)


Asrae ficou arredada das descobertas de Mar-Hir pois este focou-se exclusivamente na sua capacidade de reaver as memórias do Cisne Negro, que já de si eram dissipantes. Certificou-se que a Rinkinen andou às voltas pelo Templo isto porque assimilou muitos pormenores que a rodeavam, tendo passado por vários corredores, salões e torreões. Quanto aos sentimentos, o seu ambiente interno era sepulcral. Não houve muita tranquilidade por onde passou. Sentiu-se completamente perdida. Ainda que, a certa altura, se tivesse deparado com a presença de um colectivo de pessoas que não conseguia distinguir, provavelmente porque não existiam, não estavam verdadeiramente ali.
Ao desvendar o plano esotérico do seu devaneio avistou a aproximação de uma mulher bastante atraente. O juízo pronto e concreto identificou ser o corpo e um rosto de uma ninfa. Tal figura divinal debilitava-lhe o carácter pois a pequena desejava ser tão esbelta quanto ela.
A luz negra que se espalhava num dormitório fumarento foi a última visão que obtivera. A falta de fluidez daquela digressão não lhe permitira ver mais além nem através da força da energia cristalina que se manifestava mediante parábolas.
- Ela está mais vulnerável de cabelo curto. - concluiu depois de ter rompido aquela projecção mental - De cabelos encaracolados é influenciada pela distracção, de cabelos curtos é influenciada pela ansiedade. – meditou numa interpretação genérica.
- As crianças são tão sensíveis… - analisou a Sacerdotisa.
- Se é uma questão de estabilidade então…
Usando a sua natural aptidão para realizar magias, o Ancião fez crescer os cabelos do Cisne Negro com um simples gesto da sua mão direita.
- É muito nova para sofrer tais delírios.
Era fundamental erradicar esse temor indesejável, essa insegurança perigosa mostrada pelo seu delírio transcendental que se reproduzira na realidade, na sua queda de vinte e três degraus. Fez reaparecer os seus fios de cabelo encaracolados para que não se tornasse obnóxia do sonambulismo.
- E quanto ao seu dente partido? – Asrae lançava uma questão pertinente.
- Vamos deixar essa porta semi-aberta. Ela precisará de compreender a natureza das suas influências. Pode ser uma semente que mais tarde dará frutos, doces ou amargos, veremos.
Seguidamente, o Ancião abanou levemente a criança para que acordasse. Não tardou muito até abrir completamente os olhos e tomar consciência do local onde se encontrava e quem estava ali consigo.
- Que faço aqui? – interrogou num tiritar de frio.
- Tiveste uma ligeira indisposição. Mas já estás bem. - retribuía o Pontífice num largo sorriso.
Não se sentira intimidada, tampouco reparara que os seus cabelos haviam crescido num fechar e abrir de olhos. Estava apenas ensonada e um pouco confusa dos seus sentidos. O motivo porque estava ali deitada? Nem se lembrava. Tal motivo era tão negro como o seu nome, como o esquecimento. No entanto estava serena, não se sentia intimidada.
- Dói-me as costas…- queixou-se.
- Anda levar-te-ei para a tua cama. – prontificou-se Asrae em acolhe-la nos seus braços e levá-la para o seu quarto.
Sentiu-se transportada por uma luz negra mas não se importou. Exibiu um sorriso desdentado sem se dar conta que lhe faltava um pedacinho de um dente. Apenas murmurou baixinho, não se percebendo o que dissera ao certo.
- Yamsh bei…

O Cisne Negro despertara com o raiar cristalino sem se lembrar da maioria das ocorrências do dia anterior. Quando encarou o seu reflexo no espelho perguntou-se porque lhe faltava um pedacinho de um dente. Deve ter caído da cama e não se recordava, pensou.
Continuou a pentear os seus cabelos encaracolados ignorando que Asrae os tinha cortado e que Mar-Hir os tinha feito crescer novamente depois daquela aventura durante a Luz Frouxa.
O Pontífice já tinha chamado uma gaea para entregar a carta que a criança escrevera para os seus pais. O seu conteúdo poderia comprometer a falha da memória da Rinkinen.
Precisava poupá-la por enquanto das energias ocultas que conspiravam contra si desde o dia em que nascera.
(Próximo Capítulo: As Raízes da Promessa - Cisne Negro aos 5 anos)